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publicado em 10 jul 2011:

Paralamas de volta às origens

Cultura

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Em 1986 o cenário do rock nacional ganhava uma cara nova com o lançamento do disco Selvagem, dos Paralamas do Sucesso. O álbum trazia Herbert Vianna, João Barone e Bi Ribeiro, todos com 25 anos, cantando “a cidade que tem braços abertos num cartão postal com os punhos fechados na vida real lhe nega oportunidades, mostra a face dura do mal” na música “Alagados”, um verdadeiro grito daquela geração criada sob a égide da ditadura militar e inconformada com a realidade social e economicamente decadente do país.

Selvagem ia além. Mais que letras politizadas, o disco mesclava harmoniosamente as várias influências do grupo. A parceria com Gilberto Gil em “A Novidade”, o cover de Tim Maia em “Você”, o reggae “Teerã” e o bom-humor do “Melô do Marinheiro” davam pistas da sonoridade que o trio investiria dali para frente: menos inspirada na música estrangeira e com sotaque mais tupiniquim. O Selvagem alçou os Paralamas do Sucesso para a carreira internacional e lhes rendeu shows na América do Sul e na Europa, inclusive no Festival de Jazz de Montreux (Suíça).

Para celebrar os 25 anos deste álbum que se tornou um clássico do rock brasileiro, os Paralamas do Sucesso realizaram seis apresentações especiais em São Paulo entre os dias 24 de junho e 2 de julho com o repertório de Selvagem. Em entrevista a O Norte, o baterista João Barone revela que muitas músicas tiveram de ser “reaprendidas” como estavam no disco, pois tiveram seus arranjos muito alterados ao longo das últimas décadas. Barone comenta como se deu a escolha da inusitada da foto da capa. O irmão de Bi Ribeiro sem camisa no meio do mato era o selvagem que eles precisavam para sacudir o público e a crítica na década de 80.

Selvagem? Já foi diversas vezes elencado como um dos discos mais importantes da música brasileira. Qual o significado dele para os seus “autores”, Os Paralamas do Sucesso? Qual o impacto do sucesso advindo do lançamento do álbum na carreira de vocês?

JOÃO BARONE – Ficamos muito impressionados de como este trabalho ainda é lembrado 25 anos depois de seu lançamento. Mais uma vez, fomos mais longe do que esperávamos. Miramos no passarinho e acertamos num elefante!

O disco revolucionou por misturar várias influências musicais e pelas letras cheias de críticas. Que mensagem a banda quis passar ao intitular o disco de “selvagem”, acrescentando uma interrogação. Trata-se de uma pergunta dirigida a quem?

JB – Puro devaneio, questionamento, o “selvagem” da capa é um arremedo de índio, se olharem de perto. Ficou mais a mensagem subliminar.

O disco também chamou a atenção na época pela capa. Como foi feita a escolha daquela fotografia?

JB – Esta foto estava colada na parede do quarto onde a gente ensaiava na casada avó do Bi em Copacabana. O Herbert olhou e falou: “Vamos usar esta foto. É um selvagem. Ninguém vai entender nada!” Foi uma piada interna da banda que tomou corpo com as pós-explicações.

Os ingressos para os shows de celebração dos 25 anos do lançamento de Selvagem se esgotaram rápido. Vocês esperavam tamanha aceitação por parte do público?

JB – É bom explicar que era um projeto de shows de artistas e bandas que tocam álbuns referenciais em suas carreiras. Topamos fazer pelo desafio de tocar todas as músicas, muitas das quais a gente teve que reaprender a tocar para o show. O lugar era para uma seleta platéia de 500 pessoas por noite, foram seis shows.

Muitos fãs dos Paralamas veem esses shows com o repertório do Selvagem? como uma oportunidade de reviver os anos 80, pelos menos por alguns instantes. Qual a relação da banda com o passado, vocês são saudosistas ou preferem se focar no futuro?

JB – Nos últimos tempos somos obrigados a nos lembrar que estamos faz 29 anos na estrada… Mas nunca ficamosresgatando nossa obra, esse momento por conta do Selvagem. Não passou por nós, veio de fora. A nossa nova piada interna é que estamos cada vez mais longe dos anos 80 e cada vez mais perto dos 80 anos.

Há planos de se fazer um DVD desse show ou ampliar a turnê para outros estados brasileiros? Há previsões para voltar à Paraíba?

JB – Sim, mas não há nada que diga respeito a tocar o Selvagem em shows… Ainda.

O Herbert Vianna nasceu em João Pessoa e os outros integrantes Bi Ribeiro e João Barone ganharam os títulos de cidadão paraibanos em 2010. Qual a relação de vocês com a música paraibana?

JB – Não temos muitas referências atuais, mas Zé Ramalho sempre é uma fonte de origem daí. Inclusive ele cantou no nosso álbum mais recente, Brasil Afora, na canção “Mormaço” e participou do clipe e do DVD recém lançado.

Jornal O Norte



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