O Vaticano decidiu convocar seu núncio apostólico na Irlanda para consultas, depois das violentas críticas do primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, contra a Igreja Católica em um caso de pedofilia. A informação foi divulgada nesta segunda-feira (25) pela Rádio Vaticano.
No último dia 20, o primeiro-ministro acusou a Igreja Católica – e o Vaticano em particular – de ter atrapalhado as investigações depois da publicação de um relatório sobre atos de pedofilia cometidos em 1996 e 2009 por 19 sacerdotes da diocese de Cloyne, no sul da Irlanda.
O documento é o resultado de uma investigação sobre como acusações de abuso sexual infantil na diocese de Cloyne, no sul do país, foram tratadas pelo Vaticano até 2009. A investigação concluiu que a Igreja violou suas próprias normas relativas à proteção de crianças, não relatando as acusações contra 19 padres.
Em discurso ao Parlamento da Irlanda, Kenny afirmou que as últimas acusações sobre abusos sexuais mostram caráter “doentio, elitista e narcisista” da cultura do Vaticano hoje.
O líder da oposição, Michael Martin, também criticou a Igreja Católica, dizendo que, após os escândalos de 2009, o Vaticano havia prometido cooperar com o governo irlandês, mas em vez de defender as crianças abusadas, resolveu focar nos seus próprios interesses.
Cardeal pede demissão
Também na semana passada, o arcebispo da Filadélfia (Estados Unidos), cardeal Justin Rigali, pediu demissão do cargo. Sobre ele pesam suspeitas de acobertar casos de padres pedófilos em sua diocese. Em um comunicado, o Vaticano aceitou o pedido – mas não mencionou o escândalo de pedofilia em que o religioso está envolvido.
Rigali ficou no cargo oito anos; nesse período, em duas ocasiões - em 2005 e em fevereiro deste ano – ele e outros representantes da Igreja Católica foram mencionados em relatórios judiciais por acobertar acusações de abusos sexuais cometidos por padres de sua diocese.
A menção no relatório de fevereiro acabou resultando em acusação criminal contra um ex-secretário – que teria transferido padres acusados de pedofilia sem avisar as paróquias para as quais eles eram transferidos. A acusação ainda cita 37 padres que permaneceram exercendo suas funções apesar de alegações de que teriam abusado sexualmente de menores de idade.
R7
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