Sharon Acioly fala sobre as últimas polêmicas em torno da canção e comenta que ainda não recebeu os direitos autorais
O hit interpretado por Michel Teló, “Ai Se Eu Te Pego”, quebra todos os recordes brasileiros. É o vídeo do YouTube mais assistido dentre os artistas nacionais e já passa de 158 milhões de visualizações, em dezembro de 2011, foi eleita a Melhor Música Nacional pela Billboard Brasil, além de já ter sido interpretada por Roberto Carlos, U2, soldados iranianos, entre outros feitos. O que nem todo mundo sabe é que a compositora do hit é Sharon Acioly, a mesma autora do sucesso de “Dança do Quadrado”.
Como todo grande sucesso que envolve grandes lucros financeiros – de acordo com a revista “Forbes”, Michel Teló fez 220 shows só em 2011 e faturou US$ 18 milhões (cerca de R$ 33 milhões) –, polêmicas surgiram em torno da canção de maior sucesso dos últimos tempos. A compositora Sharon e seu parceiro, Antonio Dyggs, patentearam a canção, mas em 4 d efevereiro assinaram um acordo extrajudicial de coautoria com três paraibanas, Karine Assis Vinagre, Aline Medeiros da Fonseca e Amanda Grasiele Mesquita Teixeira da Cruz, que criaram o famoso refrão em uma excursão para a Disney. “Desde que precisei patentear a letra, entrei em contato com as meninas”, falou Sharon ao iG. No entanto, Marcella Quinho Ramalho, Amanda Borba Cavalcanti de Queiroga e Maria Eduarda Lucena dos Santos reivindicam a coautoria. “As três meninas me dizem que elas não participaram da composição, só estavam junto na viagem”.
Sharon é animadora de palco e fez sucesso no Axé Moi, uma das casas de eventos mais conhecidas de Porto Seguro (BA). Ela não se considera cantora, nem compositora. Confira o bate-papo com Sharon:
iG: Como surgiu o refrão de “Ai Se Eu Te Pego”?
Sharon Acioly: A música surgiu de uma brincadeira. Era um grito de guerra que umas meninas fizeram durante uma viagem e tive a ideia de colocar no palco. Só que eu insisti muito para que desse certo. Fico muito feliz com o sucesso que ela está fazendo, é uma satisfação muito grande quando você vê que finalmente deu certo. Não tenho como não ficar feliz com essa música.
iG: Você gostaria que o Michel Teló te convidasse para cantar com ele?
Sharon Acioly: Não sei muito bem, nunca pensei muito nisso. Mas seria muito massa cantor com o Michel.
iG: E quanto às três moças – Marcella, Amanda e Maria Eduarda – que também reivindicam a coautoria na música com Karine, Aline e Amanda?
Sharon Acioly: Só conheço as três meninas que fiz o acordo de co-autoria. Tenho toda a conversação de e-mail guardada, em que mostra que tive a ideia de fazer música em cima do gritinho de guerra delas e as procurei para patentear a canção comigo. Eu tive que registrar porque fui convidada para fazer um programa de televisão e já tinha gente de olho. Ou eu registrava ou ia perder a música. Mas elas não responderam e então registrei para não perder a autoria. Depois que o Michel gravou, elas entraram em contato comigo. Mas as outras, nem sei quem são. As meninas que fecharam o acordo comigo e se pronunciaram falando que as outras não estavam na composição do refrão. Mas deixa a Justiça decidir, estou preocupada só com a minha vida. Não fiz nada de errado.
iG: Sua vida já mudou após a autoria dessa música?
Sharon Acioly: A princípio não mudou muito, no começo estava só feliz da vida porque eu teria um retorno financeiro, que realizaria meu sonho. Mas por enquanto, o que mudou mesmo foi que saí do Axé Moi em Porto Seguro e fui morar em Salvador. Mas não esperava que a mídia viesse atrás de mim. E isso foi o que fez com que meu nome fosse impulsionado e me ajudou muito mesmo.
iG: Você já ficou rica com os direitos autorais?
Sharon Acioly: Não posso falar em números porque estou proibida por contrato. Mas nada desses números que estão saindo a meu respeito são verdadeiros. Ainda não estou milionária. Direito autoral demora muito. Tudo o que foi tocado de julho em diante – quando a música estourou de verdade –, a gente ainda não recebeu. E ainda vai demorar. Fico até com medo do povo me sequestrar na rua, achando que estou nadando no dinheiro. Aí que eu quero ver, porque não vou ter como pagar o sequestro (risos). Pedi até pra menina da associação de cantores verificar tudo isso, mas a gente ainda nem recebeu o primeiro trimestre.
iG: Mas acha que vai conseguir fazer fortuna só com esse hit?
Sharon Acioly: Vai dar para ficar bem confortável, mas não ficar rica com isso.
iG: Já te reconhecem nas ruas?
Sharon Acioly: Essa parte de ser reconhecido é legal. As pessoas estão vindo atrás, estou podendo mostrar meu lado.
iG: E o novo sucesso vai chegar quando?
Sharon Acioly: Já lancei meu novo sucesso. Foi mais uma brincadeira de palco que virou música. Sabe aquela brincadeira de acampamento do “Tchu Tchu”? Então, incorporei à minha rotina de brincadeira no palco e fiz uma música em cima disso. Algumas pessoas estão dizendo “Ah, roubou mais essa”. Gente, as pessoas não entendem que a inspiração vem de brincadeiras.
iG: Você se incomoda com essas críticas?
Sharon Acioly: Sinceramente não ganhei uma ruga a mais por conta desse povo que fala besteira. Sei quem sou, sei do meu caráter. Quem tem boca fala o que quiser.
iG: Como você encara os comentários de críticos especializados que dizem que “Ai Se Eu Te Pego” não tem conteúdo?
Sharon Acioly: Acredito que quem fala isso são pessoas que não se divertem. E quem se diverte não está nem aí se a música tem conteúdo. As pessoas têm essa mania de serem eruditas e falarem que isso não é música. Mas sinceramente lá no Axé Moi, cansei de brincar com médicos, advogados, patricinhas, e muitos intelectuais. Todos estão lá descendo até o chão e depois, quando voltam para casa, voltam a ouvir essas músicas. Muitos dizem: “O povo gosta disso porque é ignorante.” Mas eles não devem nem ligar rádio. Puro azar o deles, só tenho pena dessas pessoas.
iG: Algum famoso já encomendou música para você?
Sharon Acioly: Ainda não, mas as pessoas brincam, mas ninguém formalizou. Não me considero cantora, nem compositora. Sou apresentadora, animadora de palco, comunicadora. Tive sorte de pegar duas brincadeiras muito boas e transformar em música.
iG: Como surgiu o seu primeiro sucesso da internet, “Dança do Quadrado? Rendeu bons frutos para você?
Sharon Acioly: Também surgiu de uma brincadeira. Coloquei no palco, deu certo e coloquei nas minhas atividades diárias. Toda vez que tem alguém na plateia que faz aniversário, a gente faz isso. Brinquei com o “quadrado” e meu amigo me deu a ideia de transformar em música. Foi ela que me abriu as portas para tudo o que está acontecendo comigo.
Preencha os campos abaixo para informar sobre os erros encontrados nas nossas reportagens.
Para resolver dúvidas ou tratar de outros assuntos, entre em contato conosco