Loucos pelo programa palpitam, sofrem e fazem até festa em paredões especiais
Engana-se quem pensa que o público do BBB assiste apenas aos programas editados, em datas de paredão e eliminação ou mesmo que as edições têm um público específico – limitado ou mal informado. O R7 escolheu três maníacos pelo reality show, neste um mês de confinamento, para tentar descobrir qual o fascínio da atração sobre essas pessoas – independente de sua condição sócio-intelectual.
Se você é daqueles que acha uma verdadeira loucura assinar o pay-per-view do programa, para acompanhar as peripécias dos confinados 24 horas por dia, o que dizer de uma dentista renomada em sua cidade que mantém o computador ligado o tempo todo em seu consultório, inclusive para os pacientes que queiram acompanhar a saga? Camila Guimarães tem 27 anos, mora em Jaboticabal, interior de São Paulo, e não perde um lance do BBB por nada nesse mundo.
- Em temporada de Big Brother, fico só ligada no PPV. Não existe outro canal para mim. O programa faz parte da minha vida desde a nona edição.
E não é nenhum exagero: Camila usa a rede social Twitter para se relacionar com outras pessoas que também nutrem essa paixão pela atração. E consegue fazer análises complexas sobre os personagens preferidos no jogo e em sua vida.
- Gosto de acompanhar o comportamento do participante, de saber se aquilo é válido e legal para o jogo como um todo, até mais do que cada um representa para mim. A cada ano, vira uma novela interessante, boa de acompanhar e com alvos diferentes.
Camila abre sua casa e oferece cerveja para os amigos nas estreias e finais do programa. Mas isso não acontece só pelos lados do interior: aqui mesmo na capital, a relações públicas Juliana Monteiro faz questão de decorar a casa com o robozinho do BBB para receber os amigos, nas mesmas ocasiões. Ela acompanha vorazmente tudo o que diz respeito ao programa, desde 2005.
- Morava numa república, não tínhamos muitas opções na TV e foi fácil instituir o horário Big Brother com as amigas. Lembro que a amizade entre Jean e Grazi, no BBB 5, nos levou às lágrimas.
Juliana assume que sua paixão pelos reality shows começou lá atrás, com a primeira Casa dos Artistas, do SBT. Hoje, tem um grupo unido e louco pelo tema, que se reúne religiosamente no primeiro e último dia do programa e em paredões muito especiais. E, diferentemente da maioria do público, adora uma “diva assanhada”, daquelas que exibem o corpão por meses mas, geralmente, são execradas pela audiência quando emparedadas.
Cadê o experimento?
É o que se pergunta outro maníaco, Pedro Tapajós. O biblioteconomista e professor de inglês de Brasília não perde um minuto da versão nacional do reality, mas confessa que adora comparar com o curioso e também longevo Big Brother inglês – mesmo com as críticas dos amigos.
- O que mais escuto é: não acredito que você vê BBB. Gosto do formato, de estudar isso. E admiro a versão estrangeira porque ela segurou a proposta de ser um experimento, o Brasil já caiu no show business. Visualmente, ele é incrível pelas cores, contrastes, parte técnica. E as regras são mantidas. Até a edição 5, era um experimento do confinamento. Depois virou simplesmente televisão.
Pedro conta que a maneira de contar histórias aqui ficou diferente, a casa é muito aberta.
- Com toda a informação que eles têm, a premissa do isolamento não existe mais. Comento, agora, mas sempre com outro olhar.
Ele conta que três equipes diferentes dirigem o BBB na Inglaterra. O poder de decisão não está nas mãos de uma pessoa só. É proibido combinar, fazer menção ou falar sobre votos – apenas no confessionário. Não existe líder e todos moram no mesmo quarto. Como o modelo não funciona mais aqui, ele acredita que a previsibilidade atrapalhou um pouco esta temporada de 2012.
- O 12 tinha tudo pra ser interessante, mas também virou um igual. O molde está estabelecido, eles mesmos se dividiram, dessa vez em quartos. Não tem experimentação.
E todos os maníacos pelo programa são unânimes: a vitória deve ser de Fael, o “bicho-do-mato” do Quarto Praia.
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